O quarto disco dos norte-americanos Bambara preenche os sentidos como uma escuridão irresistível que se espraia por montes e vales, enquanto Reid Bateh reclama o mundo como seu com uma voz que mistura Nick Cave e Leonard Cohen e os companheiros de banda dizimam as últimas centelhas de luz com uma barreira sonora impenetrável. Com raízes no noise-rock, os Bambara evoluíram para uma sonoridade pós-punk que traz à memória os saudosos Madrugada com um som (ainda) mais cheio, cruzando narrativas góticas com o imaginário lynchiano e elementos western. Comparando com o anterior e igualmente excelente Shadow on Everything (2018), as canções de Stray soam mais fluidas, variadas e assombradas, abrindo espaço a saxofones, vozes femininas e linhas de baixo hipnóticas e, sobretudo, deixando a voz de Bateh respirar, confirmando-o como um dos vocalistas mais cativantes da atualidade. Num disco que se ouve de um fôlego e de preferência bem alto, a abertura com "Miracle" é suficiente ...
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