Saiu finalmente um dos (meus) discos mais esperados de 2021, o álbum de estreia dos Black Country, New Road (é mesmo assim, com pausa a meio). Não sei se a montanha reproduzida na capa fica realmente nas West Midlands ou na Arrábida, mas sei que:
- Esta troupe de sete me cativou logo com o (primeiro) single, em 2019;
- Fiquei com um sorriso nos lábios quando os vi no cartaz de 2020 de Paredes de Coura, felicidade fugaz posteriormente estraçalhada por quem-nós-sabemos;
- A amálgama de guitarras + saxofone + teclas + spoken word é do caraças.
Ao longo de seis músicas, o combo de meninas e meninos confunde pós-punk, jazz e klezmer numa emulsão dramática, tensa e visceral que ressoa através da voz de Isaac Wood, ora em modo crooner à beira de um ataque de nervos, ora contemplando as suas próprias palavras enquanto (nos) avisa ser invencível com aqueles óculos de sol. Um tipo com pinta, como o Scott Walker e o Richard Hell.
As influências de bandas como os Tortoise, Slint e Black Midi (de quem são amigos) estão bem presentes em "For the first time", sobretudo ao nível das dinâmicas rítmicas, mas esta aproximação/apropriação é sempre concretizada com personalidade e mestria, oferecendo-nos verdadeiras pérolas como "Athens, France", "Opus" ou a sublime "Science Fair".
A cereja no topo do bolo é poder confirmar a excelente reputação dos Black Country, New Road ao vivo e ir vê-los à ZDB no dia de Todos-os-Santos (€10), esperando que por essa altura quem-nós-sabemos já tenha ido dar uma volta ao bilhar grande.

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