IDLES - Ultra Mono (2020)

Para quem já desespera pelo regresso dos concertos, como eu, aqui está um daqueles discos que nos permite fazer a festa, lançar os foguetes e apanhar as canas sem sair do quarto, WC, sala, varanda, ou onde se sentirem melhor a saltar e espernear - também resulta bem no carro, mas cuidado com a cabeça. E se os primeiros discos dos IDLES não foram para mim amor à primeira vista mas antes aquela garrafa de vinho que se vai apreciando mais a cada golo, o novo Ultra Mono explodiu nos meus ouvidos como a alegre bezana que todos nós já experimentámos uma vez (ou muitas) e em que nos sentimos confiantes, assertivos e imparáveis. Assim como a bola cor-de-rosa que está a rebentar o nariz do senhor da capa. 
Atitude é palavra de ordem nos IDLES e frases como "kill 'em with kindness", "ne touche pas moi, this is my dance space!" ou "fuck you, I'm a lover" são debitadas pela banda de Bristol com a mesma energia punk de pérolas como "like Flava Flav in the club ridin' on the back of John Wayne", caso paradigmático em que uma imagem valeria certamente por mil palavras. Quem quiser dar largas à imaginação pode também espreitar esta pequena atuação que inclui homens crescidos em tronco nu, calças de licra coloridas, pêlos faciais descompensados e um boné circa Wayne's World. 
Já li algumas publicações que exaltam o ativismo dos IDLES como a melhor coisa do rock atual e outras que relacionam a raiva das músicas com mensagens ocas. Eu cá digo-vos que já não berrava refrões, abanava a cabeça até me doer o pescoço e ponderava crescer um bigode há algum tempo, por isso vou parafrasear o vocalista bigodudo e dizer apenas "I want to cater for the haters - eat shit". O gajo dos Jesus Lizard, que canta em algumas músicas e é um cota duro para caraças, aprova.

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